Lee Krasner e Jackson Pollock lado a lado no Met, e por que isso demorou tanto

Durante décadas, a história da pintura americana contou essa dupla de um jeito só. Jackson Pollock era o gênio. Lee Krasner era a mulher dele. O Metropolitan Museum of Art, em Nova York, decidiu corrigir a conta.

Krasner and Pollock, Past Continuous abriu em 4 de outubro e fica em cartaz até 31 de janeiro de 2027. São mais de 120 obras, entre pinturas, trabalhos em papel e documentos, emprestadas por mais de 80 coleções dos Estados Unidos e de fora. É a primeira grande exposição de qualquer um dos dois em Nova York em mais de vinte anos, e a primeira de ambos no Met.

A premissa cabe numa frase do curador David Breslin, chefe do departamento de arte moderna e contemporânea do museu. Os dois são tratados como iguais. Parceiros na vida, gigantes na história da arte.

Entrada da exposição Krasner and Pollock no Met, com foto do casal projetada na parede

Entrada da exposição no Met. Installation view of Krasner and Pollock, Past Continuous, on view at The Metropolitan Museum of Art from October 4, 2026 to January 31, 2027. Photo by Anna-Marie Kellen, courtesy of The Met

Dois caminhos até o mesmo ponto

Lee Krasner nasceu no Brooklyn em 1908, filha de imigrantes judeus. Estudou com Hans Hofmann e absorveu a vanguarda europeia de Picasso, Matisse e Mondrian. Jackson Pollock nasceu em 1912, no Wyoming, e cresceu no oeste americano. A formação dele passou pelo regionalismo de Thomas Hart Benton, pelos muralistas mexicanos e pelo surrealismo.

Os dois se aproximaram em Nova York em 1941, quando foram escalados para uma mesma exposição organizada pelo artista John Graham, aberta no ano seguinte. Casaram em 1945 e se mudaram para Springs, em Long Island. Ali viveram e trabalharam juntos até a morte de Pollock, num acidente de carro, em 1956.

Colagem abstrata Bald Eagle de Lee Krasner, 1955, em tons de creme e marrom com toques de rosa e laranja

Lee Krasner (American, 1908 to 1984). Bald Eagle, 1955. Oil, paper, and canvas collage on linen. ASOM Collection. © 2026 Pollock-Krasner Foundation / Artists Rights Society (ARS), New York

O gotejamento e a fama

A virada de Pollock foi o gotejamento. Com a tela estendida no chão, ele deixava a tinta cair e escorrer em movimentos do corpo inteiro. A fase durou pouco, de 1946 a 1951, e foi suficiente para mudar a pintura do século 20. Em 1949, a revista LIFE perguntou se ele seria o maior pintor vivo dos Estados Unidos.

Autumn Rhythm (Number 30), de 1950, é um dos grandes exemplos desse período e pertence ao próprio Met desde 1957.

Pintura de gotejamento Autumn Rhythm de Jackson Pollock com linhas pretas, brancas e ocres entrelaçadas

Jackson Pollock (American, 1912 to 1956). Autumn Rhythm (Number 30), 1950. Oil-modified alkyd resin on canvas. The Metropolitan Museum of Art, New York, George A. Hearn Fund, 1957. © 2026 Pollock-Krasner Foundation / Artists Rights Society (ARS), New York

Os quase trinta anos de Krasner

A fama de Pollock cresceu ainda mais depois da morte dele e, por muito tempo, encobriu o trabalho de Krasner. Ela nunca parou. A obra dela é uma investigação contínua da abstração, guiada pela natureza e pela cor, que passa por colagens, telas gestuais e pinturas de bordas nítidas.

Os quase trinta anos em que viveu depois de 1956 estão entre os mais transformadores da carreira dela. Krasner passou a pintar no celeiro que tinha sido o ateliê do marido e chegou a telas de grande escala, como as das séries Umber e Earth Green. Ela morreu em 1984.

Sala do Met com grandes pinturas de Lee Krasner em rosa, verde e creme

As grandes telas de Krasner depois de 1956. Installation view of Krasner and Pollock, Past Continuous, on view at The Metropolitan Museum of Art from October 4, 2026 to January 31, 2027. Photo by Anna-Marie Kellen, courtesy of The Met

Lado a lado, sem hierarquia

A exposição foi organizada por David Breslin e Brinda Kumar, com CJ Salapare. O percurso se divide em doze capítulos, dos anos 1930 até o fim da vida de cada um. Algumas salas colocam os dois juntos, outras apresentam cada artista sozinho. A ideia, segundo Kumar, é mostrar duas práticas que se desenvolvem perto uma da outra, sem fundir as duas numa história só.

Painéis escuros na galeria do Met com obras de Krasner e Pollock expostas lado a lado

Krasner e Pollock lado a lado na mostra. Installation view of Krasner and Pollock, Past Continuous, on view at The Metropolitan Museum of Art from October 4, 2026 to January 31, 2027. Photo by Anna-Marie Kellen, courtesy of The Met

Entre as obras centrais estão Composition (1949), The Seasons (1957), The Eye is the First Circle (1960) e Combat (1965), de Krasner, e Stenographic Figure (1942), Guardians of the Secret (1943), Number 1, 1950 (Lavender Mist) e The Deep (1953), de Pollock. A série Little Images, de Krasner, divide o espaço com os drips do fim dos anos 1940 e as telas monumentais dele dos anos 1950.

Galeria do Met com uma grande pintura de gotejamento de Jackson Pollock em parede escura

Sala dos grandes drips de Pollock. Installation view of Krasner and Pollock, Past Continuous, on view at The Metropolitan Museum of Art from October 4, 2026 to January 31, 2027. Photo by Anna-Marie Kellen, courtesy of The Met

Um título que é um tempo verbal

O nome da mostra vem de uma colagem de Krasner de 1976. Past continuous é o tempo verbal do inglês que descreve uma ação que estava em curso e não terminou. Exposições anteriores sobre o casal se concentraram nos cerca de quinze anos em que viveram juntos. O Met olha para a carreira inteira dos dois, e a história continua depois de 1956, nas mãos dela.

Colagem Past Continuous de Lee Krasner, 1976, em três painéis horizontais

Lee Krasner (American, 1908 to 1984). Past Continuous, 1976. Collage on canvas. Private Collection. © The Pollock-Krasner Foundation / Artists Rights Society (ARS), New York

Serviço

Krasner and Pollock, Past Continuous. The Met Fifth Avenue, Nova York. Até 31 de janeiro de 2027, com entrada incluída no ingresso do museu.

Para ver antes de ir, ou no lugar de ir, o Met publicou no YouTube um tour de 24 minutos pela exposição, conduzido pelos curadores David Breslin e Brinda Kumar. Os textos de parede da exposição também estão disponíveis em PDF.

Fontes

Imagens cedidas pelo The Metropolitan Museum of Art para uso editorial, com os créditos indicados em cada foto.

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